Laicato

O  Laicato  é um espaço de articulação e protagonismo dos leigos. Mais do que uma estrutura interna, somos uma “Igreja em saída”, buscando a transformação social e espiritual do cristão em seu cotidiano na família, no trabalho e na comunidade.

Com uma história profundamente enraizada na Igreja do Brasil, o Laicato vive hoje um momento especial de renovação. Presente em todo o país através de seus regionais e organizações filiadas, estamos focados em:

  • Evangelização Integral: Fortalecer a fé e a presença do laicato no dia a dia da sociedade.

  • Liderança Laical: Formar novas lideranças edificadas nos valores do Evangelho e da sinodalidade.

  • Transformação Social: Atuar como agentes de mudança em defesa da vida e da justiça social

História do Laicato: Memória e Caminhada

Nas primeiras décadas do século XX, havia organizações laicais no Brasil, como as Irmandades, Confrarias e Associações, algumas delas criadas nos séculos anteriores, atuando numa dimensão mais espiritual e/ou de assistência. Dentro do modelo de Igreja vigente, os Bispos cria­ram a Confederação das Associações Católicas, para articular as várias formas organizativas existentes.

Em 1935, foi oficializada a Ação Católica Geral. Articulada em âm­bito nacional, teve presença significativa na realidade eclesial e social naquele período. A abrangência da Ação Católica a tornava uma organi­zação representativa do laicato do Brasil. Com o golpe militar, em 1964, houve perseguições, desaparecimentos e mesmo mortes de militantes da Ação Católica. Enfrentando dificuldades inclusive com segmentos con­servadores da própria instituição eclesial, a Ação Católica se diluiu até ser extinta como tal. Posteriormente, algumas frentes se recompuseram com outros nomes, mas o fato é que já não havia a abrangência necessária para representar o laicato em âmbito nacional.

A realização do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962 a 1965) “reto­mou a teologia da Igreja como comunhão na diversidade, povo santo de Deus, peregrino e evangelizador, corpo de Cristo presente e atuante na história dos seres humanos, templo do Espírito Santo” (Cf. CNBB 105, n. 92). A partir daí, nossos Bispos decidiram propor que as Diretrizes e Pla­nos Pastorais fossem elaborados com a participação de representantes de todas as vocações e ministérios, ou seja, dos cristãos bispos, presbí­teros, religiosos e religiosas e cristãos leigos e leigas. Ainda não havia sido restaurado o diaconato permanente. Esta proposta não foi aprovada pelo Vaticano, que insistiu que Diretrizes e Planos eram competência do episcopado. Claro que os Bispos obedeceram, mas aos poucos a CNBB foi criando, apoiando e reconhecendo os Organismos representativos das várias vocações e ministérios, em um processo participativo envolvendo os demais Organismos.

A Igreja no Brasil já contava com o Organismo que reunia os Bis­pos em sua colegialidade, a Conferência Nacional dos Bispos do Bra­sil – CNBB, fundada em 1952, e com o Organismo de representação e articulação dos Religiosos e Religiosas, a Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB, fundada em 1954. Depois, foram criadas a Comissão Nacional do Clero – CNC, que, após a restauração do Diaconato Perma­nente, tornou-se Comissão Nacional de Presbíteros – CNP; e a Comissão Nacional de Diáconos – CND, em 1981, após um tempo de consolidação. Em 1971, foi criada a Conferência Nacional dos Institutos Seculares do Brasil – CNISB.

Para completar a organização dos membros do Corpo Místico de Cristo, faltava o organismo que representasse os cristãos leigos e lei­gas, imensa maioria do Povo de Deus. Assim, na XI Assembleia Geral da CNBB, em 1970, que teve como tema os “Leigos”, os bispos votaram vários encaminhamentos. Entre as questões, estava a seguinte: “Aceita que o Secretariado Nacional do Apostolado Leigo – SNALE, comece já a preparar o funcionamento de um futuro organismo de leigos?”. A maioria manifestou-se favoravelmente, com a seguinte votação: 147 sim, 23 sim com reservas e 3 não (CNBB 1970, p. 23-26). O SNALE deu andamento à proposta aprovada organizando três Encontros Nacionais com dirigen­tes dos Movimentos e Expressões Laicais existentes na época, em 1972, 1973 e 1974, em que elaboraram um projeto de criação de um organismo dos cristãos leigos e leigas no Brasil.

Em novembro de 1975, foi realizada uma Assembleia para a cons­tituição do CNL – Conselho Nacional de Leigos e foi votado um Estatuto experimental. A segunda Assembleia Geral, realizada em julho de 1976, na Casa da Legião de Maria, em Jacarepaguá/RJ, ratificou as delibera­ções e introduziu algumas modificações no Estatuto experimental e, as­sim, o CNL ficou definitivamente criado (Cf. 1º Informativo do CNL, 1976).41

O contexto da época indicava a necessidade de um “laicato cristão maduro”, consciente de sua vocação e disposto a uma ação evangeliza­dora nos diversos espaços da Igreja e do mundo. O Decreto Conciliar Ad Gentes (n. 21) foi motivador: “A Igreja não está verdadeiramente forma­da, nem vive plenamente, nem é representação perfeita de Cristo entre as pessoas enquanto não exista e trabalhe com a hierarquia um laicato propriamente dito”. Nesse processo, os cristãos leigos e leigas foram re­conhecendo a necessidade de se organizarem a partir de sua identidade, vocação, espiritualidade e missão.

Segundo Dom Marcelo Carvalheira, bispo referencial para o Laicato, “sem essa organização em conselhos próprios, fundamentados no misté­rio da Igreja comunhão e missão e, consequentemente, na teologia dos ministérios, parece-nos impossível enfrentar, hoje, no mundo atual com toda a sua complexidade, o desafio da nova evangelização. Daí ser ne­cessário que não só participem de conselhos mais diversificados e, em si, mais significativos da comunhão eclesial, como os conselhos pastorais, paroquiais ou diocesanos, nos quais se acham também sacerdotes e re­ligiosos (ChL, n. 25-27), mas também, de modo mais específico e com a autonomia que lhes cabe, é preciso que se organizem em conselhos es­peciais de leigos, nos vários níveis diocesanos, regionais e nacional. Há problemas na evangelização do mundo hoje a que só os cristãos leigos articulados e até organizados oficialmente podem dar resposta, também como Igreja inserida no mundo. Serão organizações análogas aos de ou­tros grupos organizados em conferências, conselhos e comissões” (1989, p.1580-1587).

A partir da década de 1980, o CNL visita os Regionais da CNBB, contemplando não apenas os movimentos eclesiais, mas também as pastorais, CEBs e outras instâncias para organizar o laicato nas bases. Aos poucos vão surgindo e se consolidando os Conselhos Regionais de Leigos – CRL, que articulam os Conselhos Diocesanos de Leigos – CDL e, assim, o CNL passa a ter expressão a partir das bases. Em agosto de 1987, o 1º Encontro Nacional reuniu 500 leigos e leigas de todo o Brasil na casa dos Focolares, Mariápolis Ginetta, em Cotia/SP, para contribuir com o Sínodo Mundial dos Bispos, que seria sobre os Leigos. As resolu­ções tiradas foram encaminhadas ao Vaticano por Dom Luciano Mendes de Almeida, então presidente da CNBB.

Em 1989 foi criada a Comissão de Formação, para atuar a serviço da organização do laicato e também articular as experiências existentes nas dioceses e nos regionais. Em seguida, um novo passo foi dado com a formação das Comissões Regionais de Formação.

Na sua X Assembleia, em 1991, o CNL seguiu a tradição da Ação Católica e aprovou a comemoração do Dia do Leigo na Solenidade de Cristo Rei, a cada ano, como momento propício para aprofundamento da identidade, vocação, espiritualidade e missão laicais. São realizados o 2º e o 3°Encontros Nacionais e, em 1997, é revisto o Estatuto do CNL, que passa a se chamar Conselho Nacional de Leigos e Leigas Católicos do Brasil. Em 2004, uma nova revisão estatutária traz várias atualizações, inclusive a nova denominação: Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB. A CNBB homologou esse Estatuto em 2004, que continua vigo­rando até hoje.

Em junho de 1999, a Assembleia realizada em Belo Horizonte/MG propôs um encaminhamento para que o Conselho passasse a ser uma Conferência. Nesse processo para ser “Conferência – Organismo”, foi realizada a 1ª “Conferência-Evento” dos Cristãos Leigos e Leigas, em Fortaleza/CE, em novembro de 2001. Este evento foi precedido por con­ferências diocesanas e regionais apoiadas em documento de estudo pró­prio. O regimento, em seu Artigo 2º, definiu como seria o processo de construção da Conferência: “Ser amplo processo de discussão sobre a identidade, vocação, missão, organização e representatividade dos lei­gos e leigas católicos do Brasil, na Igreja e na sociedade; promover uma profunda análise da realidade brasileira, sob a ótica da Palavra Encarna­da, à luz do Magistério da Igreja, com os subsídios das Ciências Huma­nas; elaborar Diretrizes da Ação dos leigos e leigas católicos do Brasil; estabelecer diretrizes e condições para a organização dos leigos e leigas católicos do Brasil como Conferência-Organismo”.

Porém, o Pontifício Conselho para os Leigos, em Roma, não apro­vou a criação da Conferência para o Laicato do Brasil, justificando que seria um organismo paralelo à CNBB. Foi um equívoco de entendi­mento, porque a Conferência pretendia ser um organismo constituído a pleno título como sujeito, para favorecer a autonomia laical e, assim, somar-se mais eficazmente à comunhão eclesial. Sabe-se que a comu­nhão acontece entre sujeitos eclesiais, sem relação de submissão, mas de sinodalidade.

O CNLB prossegue como Conselho Nacional do Laicato do Brasil, consolidando-se em meio a dificuldades e desafios: o autoritarismo da ditadura militar, no início da organização laical; a repressão aos cristãos leigos mais engajados no campo social; a censura que dificultava as con­vocações para reuniões e assembleias e o envio dos boletins informati­vos; as divergências internas, de caráter político e ideológico; a falta de recursos financeiros; a resistência de setores conservadores da Igreja.

Alguns desses desafios permanecem ainda hoje, que podem ser melhorados com a consciência dos cristãos leigos e leigas sobre a ne­cessidade desse Organismo, o apoio de setores do clero, a busca de recursos financeiros e a articulação a partir das bases.

Apesar das dificuldades e desafios, o CNLB tem sido fiel ao seu so­nho primeiro: articular o laicato em vista da missão que lhe é própria, re­presentando os cristãos leigos e leigas no trabalho conjunto com a CNBB e os demais Organismos do Povo de Deus. Ressalta-se a formação que sempre propiciou aos seus membros, a representatividade junto à CNBB e aos demais Organismos, tendo assento e voz nas reuniões do Conse­lho Episcopal de Pastoral, do Conselho Permanente e nas Assembleias Gerais da CNBB, nas Assembleias Nacionais dos Organismos do Povo de Deus e o trabalho conjunto em projetos e atividades.

Destaca-se também o ensejo de estar presente nas realidades da Igreja e da sociedade, proporcionando para isso encontros, assembleias, fóruns, seminários, textos, debates, manifestações, participações em do­cumentos eclesiais, lives, sempre na perspectiva de fundamentar a vivên­cia do cristão leigo/leiga como “sujeito eclesial e social”.

Dos simples boletins e informativos até as revistas e cartilhas, agen­da formativa, site, redes sociais e outras, o CNLB vem adquirindo visibi­lidade como expressão nacional, concretizando o sonho nascido há 50 anos de ser instrumento de profecia e de esperança nessa realidade em crise, buscando “revelar e expandir o Reino de Deus na história”.

Em tempos de processo sinodal, em que se discute a “sinodalidade na e da Igreja”, o CNLB traz de volta a ideia de ser uma Conferência e assim iniciar um novo ciclo de sua preciosa existência. Esse passo é resultado de um processo de amadurecimento e fortalecimento da sua própria identidade e missão. Caminhando com as belezas e desafios de cada tempo, com postura profética e servidora, o CNLB chega ao seu jubileu dos 50 anos como expressão nacional para a Igreja e para a socie­dade. Para isso, buscar abrir caminhos, criar atalhos, desviar de pedras e continuar forte, porque criou raiz; capaz, porque tem um laicato maduro e comprometido; ousado, porque não desistiu diante dos desafios; e profé­tico, porque se revela sonho de Deus para o Reino.

Coordenação

Wallison Salaroli

Coordenador Paroquial da PJ

Nayele Sperotto

Secretária Paroquial da PJ

Jefferson (Batata)

Tesoureiro Paroquial da PJ

Arquivos

Acesse todos os arquivos ou documentos disponibilizados pela Pastoral da Juventude, para estudos e conhecimento:

Em Breve

...

Em Breve

...

Em Breve

...

Últimas notícias

1 / ?