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Cardeal alemão próximo do papa critica Caminho Sinodal Alemão: é um golpe de Estado

O cardeal Walter Kasper alertou que o Caminho Sinodal Alemão corre o risco de “quebrar o próprio pescoço” se não der ouvidos às objeções feitas por um número cada vez maior de bispos de todo o mundo.

O Caminho Sinodal Alemão se descreve como um processo que reúne os bispos da Alemanha e leigos selecionados para debater e aprovar resoluções sobre o modo como o poder é exercido na Igreja, moral sexual, o sacerdócio, e o papel das mulheres.

Os participantes votaram a favor de rascunhos de documentos que pedem a ordenação de mulheres, bênçãos para uniões homossexuais, e mudanças na doutrina da Igreja sobre atos homossexuais.

Teólogo influente e considerado próximo ao papa Francisco, Kasper também disse que os organizadores do Caminho Sinodal Alemão usaram um “truque preguiçoso” que é, de fato, um golpe de Estado e resulta em uma renúncia coletiva dos bispos de suas obrigações.

O cardeal alemão de 89 anos é presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade e Cristã e foi bispo de Rottenburg-Stuttgart, no sudoeste da Alemanha.

Ele fez as declarações no domingo (19) em um dia de estudo online da iniciativa Neuer Anfang (Novo Começo), um movimento de reforma que se opõe ao Caminho Sinodal Alemão.

Kasper disse que a Igreja não é uma matéria qualquer a ser “remodelada e reformatada para se adaptar à situação”.

Em abril deste ano, mais de cem cardeais e bispos de todo o mundo publicaram uma “carta aberta fraterna’ aos bispos da Alemanha alertando que as mudanças amplas na doutrina defendidas pelo processo podem levar a um novo cisma vindo da Alemanha.

Em março, uma carta aberta dos bispos nórdicos manifestou alarme em relação ao processo alemão, e, em fevereiro, uma carta em termos fortes do bispo de Poznan e presidente da Conferência Episcopal Polonesa, dom Stanisław Gądecki, levantou graves preocupações.

Preocupações como essas ‘serão repetidas e reafirmadas e, se não dermos ouvidos a elas, vão quebrar o pescoço do Caminho Sinodal”, disse Kasper em seu discurso.

O “pecado original do Caminho Sinodal” foi ele não ter se baseado na carta do papa Francisco à igreja na Alemanha, com sua “proposta de ser guiada pelo Evangelho e a missão básica de evangelização.”

Em vez disso, o caminho Sinodal Alemão, iniciado pelo bispo de Munique, Reinhard cardeal Marx, então presidente da Conferência Episcopal Alemã, “tomou seu próprio caminho com critérios parcialmente diferentes”, disse Kasper.

Em junho de 2019 o papa Francisco enviou uma carta de 19 páginas aos católicos alemães instando-os a se concentrar na evangelização diante de uma “crescente erosão e deterioração da fé”.

O bispo de Limburgo e atual presidente da conferência episcopal alemã, dom Georg Bätzing, rejeitou reiteradamente todas as preocupações e se disse desapontado com o papa Francisco em maio deste ano.

Em uma entrevista publicada no começo de junho, o papa Francisco reiterou que disse a Bätzing: a Alemanha já tem “uma igreja evangélica muito boa” e “não precisa de duas”.

“O problema surge quando o caminho sinodal vem das elites intelectuais, teológicas, e é muito influenciada por pressão externa”, disse o papa.

Bätzing, que também atua como presidente do Caminho Sinodal Alemão, é signatário da Declaração de Frankfurt, petição aos bispos alemães declararem seu compromisso de implementar as resoluções aprovadas nesse processo.

No domingo, Kasper criticou essa pressão por “compromisso”, dizendo que é “um truque, e, ainda por cima, um truque preguiçoso.”

“Imagine um funcionário público que aceita sua nomeação e então renuncia ao exercício de suas obrigações legais”, disse o cardeal. “Ele certamente enfrentaria um processo pela lei do serviço público. No fim, um tal compromisso seria equivalente a uma renúncia coletiva dos bispos. Constitucionalmente, isso só poderia ser chamado de golpe, uma tentativa de golpe de Estado.”

A Igreja não pode nunca ser governada sinodalmente, ressaltou Kasper: “Sínodos não podem se tornar institucionalmente permanentes.” Um sínodo, disse ele, constitui uma “interrupção extraordinária” dos procedimentos ordinários.

O cardeal Kasper manifestou reiteradamente sua preocupação em relação ao evento, mas Bätzing defende vigorosamente o caminho Sinodal Alemão.

No domingo, Kasper usou as palavras “renovação” e “inovação” para dizer que “não se pode reinventar a Igreja”, mas sim contribuir para sua renovação no Espírito Santo: “Renovação não é inovação. Não significa apenas tentar alguma coisa nova e inventar uma nova Igreja.”

A verdadeira reforma, continuou Kasper, é “deixar o Espírito de Deus nos renovar e nos dar um novo coração.” O termo “reforma” se aplica a trazer a Igreja de volta “à forma”, isto é “à forma que Jesus Cristo quis e deu à Igreja. Jesus Cristo é a fundação, ninguém pode estabelecer outra (1Cor 3, 10); Ele é ao mesmo tempo a pedra da abóboda que segura tudo (Efésios 2, 20). Ele é o padrão, o alfa e o ômega de toda renovação.”

Fonte: acidigital.com

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